A criança abusada teme perder o vínculo com seus pais…sem eles seria impossível sobreviver ,tanto emocionalmente quanto fisicamente. Neste elo de ligação irá interpretar abusos como prova de amor ou irá se culpar acreditando que os maus tratos foram merecidos.
Surge então um MODO ILUDIDO que a faz exaltar as qualidades de seus cuidadores tóxicos: “papai me batia, mas nunca deixou nada me faltar . Mamãe, apesar de fria, me levava ao zoológico”.
Este modo ilusório na infância é adaptativo, pois a criança tem poucos recursos psicológicos para lidar com a verdade, mas é disfuncional na idade adulta por perpetuar o esquema de abuso.
Quando Joana rompeu com seu namorado abusivo, sentiu uma breve euforia por ter feito “a coisa certa “… entretanto em seguida sentiu um grande desamparo e muita culpa. Assim como na fase infantil, o desejo do abusado é que seu algoz mude , melhore, seja afetuoso…
A culpa surge como uma repetição infantil que estava sempre a escutar das figuras parentais que os abusos causados tinham como causa seu próprio comportamento, o comportamento da criança e não a inadequação dos pais.
Da mesma forma que os cuidadores são idealizados pela criança, o parceiro do abusado também é exaltado em suas qualidades.
E foi quando Joana passou a lembrar o quanto generoso era seu namorado por ter pago 2 semestres de sua faculdade. Como era bom fazer amor e conversar com ele… A menina eufórica que havia interrompido a relação abusiva agora estava aos prantos, de joelhos, suplicando o retorno da relação.
E o abusador? Este por sua vez , finge uma vulnerabilidade que no fundo nada mais é do que o prazer em ter recuperado o domínio da relação.