O modo racional após um fim de uma relação abusiva é uma ” casca de banana ” para o terapeuta por se parecer com modo adulto saudável, que usa o pensamento lógico.
Pais racionais muitas vezes são evitativos por não se conectarem com a dor da criança e por soluções mais práticas e menos trabalhosas. A criança Internaliza esse modo e usa na adultez.
O terapeuta não confronta. Tolera esse modo por ser um mecanismo de defesa contra o sofrimento insuportável do abandono, mas sem o enaltecer, para não alimentar as defesas racionais.
Mais cedo ou mais tarde o MODO CRIANÇA ABANDONADA será ativado com todo o desespero que o desamparo é capaz de causar. É o momento crucial do tratamento porque, possivelmente, essa vulnerabilidade nunca foi devidamente cuidada.
O terapeuta, genuinamente e empaticamente, compreende a dor , enfraquece o MODO RACIONAL e acolhe a criança vulnerável do paciente enfatizado que embora não possa curar a dor não o deixará sozinho.
E assim, como estratégia acolhedora, durante a semana, passa a mandar ao paciente áudios, mensagens de texto “estou aqui no que precisar”…
O mesmo experimenta a vulnerabilidade de uma forma diferente: não punitiva, não racionalizada e extremamente validada.
Talvez, pela primeira vez em sua vida, se sinta extremamente amado, justamente por ter ficado vulnerável.