O que mantinha Lúcia na relação abusiva com João era a esperança de que o marido egocêntrico, infiel e arrogante um dia iria mudar.
O ABUSO está atrelado justamente a um mecanismo de defesa contra a conexão. A empatia, generosidade e afetividade, proporcionam um estado de vulnerável que faz o indivíduo, por alguns instantes ” ficar nas mãos do outro “, o que para o ABUSADOR é extremamente arriscado.
João além de ter tido pais críticos, teve que se tornar autossuficiente ainda criança, por não ter com quem contar. Nos momentos de tristeza , solidão e desamparo precisou bloquear essas emoções para sobreviver.
O DRAMA DO ABUSADOR é que os abusos cometidos o deixa no controle, mas em compensação gera afastamento emocional, o que perpetua suas faltas infantis.
O DRAMA DO ABUSADO, no caso, Lúcia, é que esse MODO ILUDIDO de que “João irá mudar” é uma HIPERCOMPENSAÇÃO para também não sentir a repetição de suas dores infantis. A esperança sem fundamentos é apenas um paliativo para uma ferida mal cicatrizada, que sangra sem parar.