Normalmente, ao se romper uma relação abusiva e se passar a fase de euforia “estou livre daquele babaca!”, o abusado pode entrar em um estágio de depressão, com o sentimento de solidão. Os abusos sofridos naturalmente são esquecidos e as lembranças dos bons momentos podem se tornar torturantes.

O terapeuta, devido a dificuldade em ver o paciente em sofrimento, pode bombardeá- lo de forma racional, querendo provar que o fim da relação abusiva foi um bom “negócio”.

A questão é que a necessidade do abusado é ser validado e compreendido. Sentir falta dos bons momentos é saudável porque tem a ver com necessidades infantis satisfeitas, afinal nenhuma relação abusiva é 100% desastrosa.

A ambivalência em saber que houve abuso e mesmo assim pensar em voltar precisa ser tolerada, porém, gentilmente, deve- se mostrar que entre a solidão absoluta e retornar ao abuso, existem outros tipos de vínculos que o paciente, se assim desejar, poderá vivenciar.

Saber que o desejo em voltar para o antigo algoz sem julgamentos é reparador, pois ser respeitado em suas decisões, mesmo com um péssimo prognóstico, é algo novo e, possivelmente, nunca experimentado pelo abusado.

Para o abusado saber que seu desejo em voltar para o antigo algoz sem julgamentos é reparador, pois ser respeitado em suas decisões, mesmo com um péssimo prognóstico, é algo novo e, possivelmente, nunca experimentado.

A FUNÇÃO TERAPÊUTICA é estar do lado do paciente em suas melhores e piores decisões. Escolher certo não é uma necessidade infantil e ter alguém ao lado sempre é essencial para que a criança vulnerável do paciente nunca mais se sinta só.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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