Uma das necessidades da criança é ser amada , reconhecida por ser o que é e pelo seu temperamento. Alguns ambientes familiares são escassos de tanta coisa que a criança passa a ter uma missão de suprir o que falta nesse ambiente.
Muitas desde cedo percebem que precisam estar acima da média, seja na inteligência, estética ou serem percebidas como especiais para o mundo, só assim serão vistas com valor e orgulho por seus cuidadores.
Esta ESTRATÉGIA é DE SOBREVIVÊNCIA E até ADAPTATIVA na infância, pelos poucos recursos que a criança tem , mas se torna DISFUNCIONAL na adultez, pois além de não priorizar vínculos e conexões, entra num MODO COMPETITIVO para se obter aquilo que julga merecer.
Diferente da criança mimada, que obteve tudo que queria, este perfil é uma revivência do conflito infantil, onde ainda busca admiração dos pais críticos e exigentes.
Este paciente se vê em polos extremos. Ou será famoso e importante ou irá ter que se contentar com a mediocridade. Não há meio termo.
Cada falha o faz sentir os pais decepcionados e frustrados em ter um filho medíocre, incapaz de dar orgulho e isso o deprime.
Cada vitória ou aproximação para o sucesso gera adrenalina e afasta a dor da criança solitária e defeituosa.
O paradoxo ocorre quando o paciente, em terapia, descobre que a cura da criança está justamente em ser amada por sua espontaneidade e imperfeição… a necessidade de ser acima da média nunca foi da criança, mas da vaidade narcisista de pais que nunca foram capazes de enxergar a dor de seu menino… pais que apenas o fizeram uma extensão de vaidade tóxica.