Pessoas vítimas de relacionamentos abusivos, com frequência, buscam terapia para obter respostas e sanar dúvidas. No íntimo querem entender seus parceiros, descobrir o que precisam fazer para salvar seus casamentos.
Uma terapia pode causar grande choque no paciente. Não é sobre o que o terapeuta diz ou ensina, mas como o paciente é tratado.
Camila achava sua terapeuta esquisita. Mesmo quando ela faltava sem avisar ou, simplesmente, ameaçava abandonar a terapia, a mesma demonstrava, de forma gentil, compreendê-la, mesmo que em muitas situações a confrontasse.
Camila estava habituada a punições sempre que frustrava seu marido e chegou a acreditar que o problema do relacionamento eram seus comportamentos.
Quando o terapeuta age de forma não abusiva, sendo gentil, amoroso e empático, o paciente vivencia uma experiência corretiva.
Camila passa a experimentar pela primeira vez, um vínculo seguro e a questionar os relacionamentos que obteve ao longo da sua história.
Os abusos que eram banalizados se transformam em raiva aversiva, onde, aos poucos, o paciente vai perdendo a admiração, respeito e medo pelo abusador.
Ao mesmo tempo, pessoas semelhantes ao terapeuta que antes eram sentidas como entediantes e pegajosas, passam a se tornar interessantes.
O momento do rompimento da relação abusiva se dá quando o abusado consegue romper com a ilusão infantil de que o algoz irá mudar e consegue vê-lo exatamente como ele é, sem aceitar qualquer tipo de manipulação.