Privações e autossacrifício fazem parte do repertório do abusado como forma de se adaptar a DINÂMICA DO ABUSO, porém, é necessário que haja um elemento poderoso para alimentar esses dois esquemas desadaptativos : o excesso de compaixão.

Fernanda, aos cinco anos de idade, levava água para seu pai, após uma terrível ressaca. Não fazia apenas por responsabilidade, mas também por amor.

É isso que crianças privadas e fadigas por compaixão aprendem desde sempre: não há limites no amor.

Aprendeu com a mãe que quando se ama ” esquecemos de nós mesmos”. A genitora desistiu de todos os seus sonhos para cuidar do marido alcoolista e deprimido e por isso estava sempre cansada, irritada, amargurada, mas ao mesmo tempo RESIGNADA…”ele precisa de mim . Não há nada que eu possa fazer.”

Foi na terapia que, pela primeira vez, Fernanda, hoje com 29 anos, experimentou compaixão por sua garotinha.

No exercício de imagem, o terapeuta entra na sua infância, se agacha até ficar do tamanho da pequena Nanda e de forma genuína, chora pela criança privada.

Fernanda de início se assusta. Ninguém nunca havia empatizado com suas privações, mas logo em seguida experimenta pena por aquele ser tão miúdo e tão miserável de cuidados.

Para a criança se sentir autorizada a ser feliz, a brincar e ter uma vida saudável, é necessário que um cuidador empatize com sua dor para assim enfraquecer o sentimento de culpa. Sim, para quem tem fadiga por compaixão, cuidar de si e não ser explorado afetivamente, além de estranho, parece um crime!

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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