Quando a criança necessita dos cuidados do abusador para sobreviver, precisa desenvolver uma ESTRATÉGIA COMPORTAMENTAL que deixe o abusador feliz . Ela passa a se ver através dos olhos do abusador e abdica de suas reais necessidades.
Quando Miguel dizia que ao crescer seria médico, mesmo sem ter noção da profissão, agradava sua mãe controladora e autoritária. Miguel sentia alívio emocional.
A criança abusada passa a ter esperança de que será cuidada e assim se torna HIPERVIGILANTE diante das necessidades do abuso, formando um vínculo forte, porém disfuncional.
Cintia , aos 27 anos, se apaixonou de imediato por Raul. A agressividade do rapaz era muito parecida com a do seu pai, o que imediatamente ativou sua criança interior que tinha que se esforçar e ser gentil para evitar o abuso.
O ABUSADO, mesmo na fase adulta, interpreta sua dedicação e submissão a um gesto de amor, exatamente como acontecia na infância.
O DESAFIO TERAPÊUTICO é suportar que o vínculo do paciente com seu algoz seja bem maior que o vínculo terapêutico e por isso o foco da terapia não é romper a relação abusiva e sim oferecer um elo saudável, seguro e previsível , para que o paciente possa usufruir de cuidados jamais experimentados.
A continuidade da relação abusiva é uma decisão do paciente e envolve uma série de motivações internas.