A criança para desfrutar a merecida paz , seu sono reparador e gozar do amor de todos que a cerca, precisa ter a convicção emocional de que não está ameaçada.
O mais emergencial para o cérebro é a sobrevivência. No mundo animal, o essencial para a presa não é se banhar nas águas geladas de rio abundante, mas sobreviver a seus predadores, por isso a hipervigilância no mundo animal é tão importante.
Fernanda foi uma criança desejada, amada, protegida e ainda recebeu limites.
Teve uma infância sem grandes problemas. Passou pela adolescência com tranquilidade e estava usufruindo bem sua juventude.
Tudo mudou quando, ao conseguir o emprego dos sonhos, se deparou com uma chefe narcisista, que competia com ela e a humilhava frequentemente.
Aquela criança interior que habitava dentro de si, habituada com a paz, foi ” acordada ” com um alerta de perigo.
Fernanda passou a usar ESTRATÉGIAS DE SUBMISSÃO em vão na tentativa de evitar críticas. Depois também precisou evitar contato …tudo sem êxito.
Um cérebro que nunca havia se deparado com o terror do abuso, acabou por não desenvolver recursos para lidar com tal situação. Ao se ver acuada, passou a viver uma adrenalina de vigilância em função do abuso.
Ao invés de pedir demissão, Fernanda decidiu se adaptar a situação.
A dinâmica do abuso passou a ser internalizada, estendendo a adrenalina para outras relações.
A garota que sempre experienciou relações estáveis e seguras, passou a se envolver em relações desorganizadas, utilizando estratégias de submissão.
O CÉREBRO APRENDEU A JOGAR O JOGO DO ABUSO, tornando relações saudáveis que outrora geravam bem estar, em relações que agora soam como entediantes.