Quando o esquema de abandono é ativado, pacientes borderlines experimentam um sofrimento psicológico terrível. Reviver a dor do trauma infantil, mesmo adulto, é insuportável. O ESQUEMA é ativado e o indivíduo passa a vivenciar o modo criança vulnerável com todas as dores sentidas na infância.

O MODO AUTOALIVIADOR surge para que o adulto não entre em contato com sua criança ferida, justamente por não saber lidar, cuidar ou ampara-la. Um dos comportamentos do modo aliviador mais comum neste transtorno é a compulsão sexual.

Marina quando transava, a penetração a fazia se desconectar de todo abandono e abuso sofrido pelos seus pais , ao mesmo tempo que se sentia conectada, pelo menos fisicamente, a um corpo em movimento.

Ao cessar o ato sexual, o vazio, tédio e solidão infantil vem à tona. O modo autoaliviador faz com que se busque parceiros disponíveis sexualmente para acalmar a inquietude infantil.

O desafio terapêutico é se vincular e criar um apego seguro, capaz de suportar as transgressões sexuais do paciente. Uma postura crítica do terapeuta ou a tentativa equivocada de ROMPER o modo autoaliviador pode colocar a perder todo o tratamento.

A dança terapêutica envolve um terapeuta reparentalizador que ao invés de condenar o comportamento promíscuo, compreenderá toda a dinâmica disfuncional.

Gradativamente a confiança no terapeuta é ampliada para outras relações, fazendo com que o paciente borderline, durante episódios de solidão, troque o alívio sexual por colos quentes e seguros jamais experimentados.

Apesar da oscilação de humor desse perfil, ajudá-los a se acalmar , contendo comportamentos impulsivos mais graves e procurando se vincular a pessoas estáveis já é considerado uma vitória no tratamento.

Vale ressaltar que, as recaídas comportamentais devem ser tratadas com respeito, empatia e muito amor, afinal, é disso que toda criança abandonada necessita.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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