Pessoas que já foram abusadas, emocionalmente ou fisicamente, carregam sequelas por toda vida, as feridas são devastadoras… É um perfil contraditório :
ora sensível, ora hostil, desafiador. Aprendem desde cedo a se defender do outro. Conviveu com o que há de pior no adulto. Logo, não há motivos para confiança. Costumeiramente busca terapia devido a seus imensos conflitos na esfera interpessoal: chefe, casamento, professor, amigos. Não importa, a queixa é bem similar: “ Não confio nas pessoas, elas estão sempre querendo se aproveitar de mim, me machucar. Basta um descuido e…” Quem são essas pessoas? Todas que desfrutam de sua intimidade, inclusive, nós, terapeutas.

Existem alguns comportamentos típicos de pessoas que já passaram por essa experiência. Em alguns momentos se apresentam distantes, sem afeto e indiferentes. O medo de um contato íntimo é imenso. Em outras ocasiões, são provocadoras, inadequadas e cruéis, como que estivessem lhe testando ou se vingando. É um movimento de checagem, com o intuito de descobrirem se há algum potencial abusador com quem se relacionam. É comum o abusado utilizar vestimenta do abusador no setting terapêutico. O paciente revive o trauma na relação com o terapeuta. Ora age como vítima, ora como algoz.

Como agir diante desse modelo de funcionamento?

– Flexibilizar a crença rígida de generalização. Distinguir as pessoas que merecem confiança das que não merecem.

– Criar expectativas reais sobre o outro. Pessoas boas cometem falhas.Porém o que as motivam a agir assim são suas fragilidades, não perversidade e prazer em maltratar o outro.

– Fazer autocrítica. Embora tenham sido vitimas, há várias situações em que assumem o papel do abusador com pessoas dóceis e inofensivas.Essa atitude impede bons relacionamentos.

– Confirmar a hipótese. Por terem se envolvido, ao longo da vida, com perfis disfuncionais fortaleceram a crença da desconfiança.

– Treinar habilidades sociais. Desenvolver com o terapeuta um repertório afetuoso e respeitador, a fim de melhorar o convívio com as pessoas, no seu dia a dia.

– Pessoas abusadas precisam de compreensão, amparo e afeto. São acuadas, medrosas, frágeis… É um trabalho árduo, entretanto, a recompensa de fazer parte da vida íntima desse perfil se torna um privilégio para o terapeuta.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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