Não se consegue sair de uma relação abusiva por não gostar de ser maltratada. Ser rejeitado gera muito mais adrenalina do que ser amado. Pessoas abusadas na infância por seus cuidadores têm grande chance em se envolver em relações abusivas na fase adulta, na figura de abusador, abusado ou alternando papéis.

A criança abusada não sente o comportamento violento como algo destrutivo por parte do abusador, mas como um gesto de amor ou como culpa por não ser uma criança agradável. Logo crenças como ” quem ama abusa ” ou ” mereço punições ” são instaladas a nível inconsciente na mente vulnerável infantil. Na fase adulta, pessoas abusadoras vão ativar a criança indefesa que implorava amor das figuras parentais… o abusado experimentará uma espécie de encanto pelo abusador, assim como era na infância.

Obviamente, o lado saudável do abusado compreenderá como absurdo os maus-tratos sofridos, porém não entenderá o porquê da grande dificuldade em conseguir romper o relacionamento e toda abstinência experimentada no pós término. É na relação terapêutica que o profissional cuidará da criança ferida do paciente e ” emprestará” seu ego saudável para que, posteriormente, o paciente possa reparentalizar sua própria criança abusada e maltratada.

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Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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