Roberta era uma criança que tinha naturalmente um temperamento amável. Buscava conexão, amor e intimidade com seus pais, todavia, a frieza dos cuidadores a fazia se sentir desamparada e protestando através de choro, gritos e mau humor . Com o passar do tempo e percebendo que sua necessidade de afeto não seria satisfeita , a pequena Roberta, como mecanismo de defesa, se desligou, desistiu da conexão e se tornou evitativa.
A estratégia se manteve na fase adulta. Mesmo se envolvendo com rapazes afetivos, sua postura fria se mantinha como forma de proteção. Ao perder o interesse, rompia seus namoros.
Quando o intenso Charles, que diga-se de passagem, a incomodava devido sua necessidade constante de atenção, terminou o namoro, algo estranho ocorreu. A estratégia evitativa cultivada por tanto tempo, rompeu e Roberta reviveu o trauma infantil do abandono. O sofrimento não era por Charles, mas pela dor de sua garotinha… aquela menininha amável que só queria ser amada.
A partir daí desenvolveu uma paixão platônica pelo ex, fazendo com que não permitisse nenhuma outra pessoa se aproximar dela.
No íntimo, se manter ” apaixonada ” por um ex que não vai voltar é uma forma de se blindar de futuras relações amorosas, se blindar contra a dor da criança abandona, da aceitação de que não é digna de amor, se blindar da perpetuação de que ninguém nunca vai amá-la.