Há um momento na infância em que a criança, até então iludida em idealizar os pais, percebe que existe algo estranho com suas figuras parentais.

Ao comparar com os cuidadores de seus amigos percebe o quanto sua mamãe é mais fria e evitativa que as outras mães. Passa a questionar o por quê do papai gritar tanto e ameaçar ir embora sempre que bebe ou é contrariado.

Dependendo do temperamento, a criança evitará conflitos, se tornará submissa aos maus tratos ou decidirá enfrentar seus abusadores

A mensagem que pais abusadores passam é: “se não se submeter a nós, deixaremos de cuidar, de amar e de nos importamos com você!” Até a criança mais destemida entrará em pânico e colapso. Um filho é capaz de tudo para evitar o abandono de seus genitores.

ESQUEMAS de ABANDONO surgem com as seguintes suposições:

1°” Se eu contrariar meus pais , ficarei sozinho”,

2°” Se eu acatar tudo que eles mandam , então terei cuidadores”,

3° “É terrível ser abandonado “.

Estes esquemas se fortalecem ao longo da vida do indivíduo, se tornando cada vez mais sofisticados. Mesmo na fase adulta, amigos, chefes e parceiros sexuais com potencial de abandono e abuso se tornam interessantes .

REJEITADOS e ABUSADORES se encontram gerando uma química irresistível para ambos. O rejeitado não sabe, mas o que lhe atrai no outro não são as qualidades, mas a possibilidade de reviver a infância dolorosa na fase adulta.

Abusadores também sentem atração inconsciente. Em consultório afirmam não saber o motivo de sentirem tanto desprezo e raiva por seus parceiros.

Já o rejeitado vê no algoz a chance ímpar de ser amado e fará de tudo para que desta vez o desfecho seja diferente , mesmo que para isso tenha que ser abusado.

Ambos vieram do mesmo terreno fértil de abuso, só que o rejeitador, enxerga no rejeitado a possibilidade de descontar tudo aquilo que sofreu na infância.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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