Quando uma criança pertence a um ambiente rejeitador sua sobrevivência é ameaçada. Se seus cuidadores desistirem, ela simplesmente morre por depender completamente de um adulto.

O temperamento da criança é inato e irá selecionar a estratégia a ser adotada.

Algumas crianças irão se tornar agressivas diante dos pais como protesto, outras irão se desligar para não sentir a dor da rejeição, outras buscarão ser amadas de forma frenética e desesperada para receber amor.

Clara possuia APEGO PREOCUPADO. Ficava em alerta diante das ausências físicas e emocionais dos pais . Era indiferente aos afetos da professora ou coleguinhas. Seu foco era não ser abandonada, o que lhe causava adrenalina.

Na adultez, o estado de alerta e ansiedade em relação ao abandono, construído na infância, praticamente se tornou um elemento de sua personalidade.

Para manter o alerta ligado era necessário investir em homens e amigos instáveis e com um grande potencial de abandono.

Pessoas previsíveis, estáveis e confiáveis eram testadas por Clara e depois rejeitadas, afinal se tornavam entediantes pela ausência da ADRENALINA da REJEIÇÃO.

O DESAFIO TERAPÊUTICO consiste em um terapeuta estável que compreende o modo de alerta do paciente, mas que não entre no jogo do modo adrenalizado através de testes e ameaças.

O MODO ALERTA não está à serviço da criança abandonada que genuinamente quer ser amada.

O MODO ALERTA não está à serviço da criança abandonada que genuinamente quer ser amada. Não é a Clara que implora por abandono, mas sua estratégia resignadora que tem a função de proteger a criança da frustração mais severa. Para ela é bem melhor aceitar que ” ninguém irá lhe amar”… a estratégia é não acreditar e não se decepcionar.

A FUNÇÃO TERAPÊUTICA é acessar essa criança vulnerável, lhe oferecer, de forma limitada, cuidados e amor e enfraquecer o MODO ALERTA. Vale ressaltar que, confrontar os pais abusivos é primordial para que a QUÍMICA ESQUEMÁTICA por pessoas disfuncionais diminuam ao ponto do adulto saudável do paciente ter autonomia para escolher com quem quer se relacionar.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

Escreva um comentário