Na fase pré verbal, internalizamos através da exorbitância e das sensações nosso estilo de apego, que mais tarde, irá influenciar não só nossas escolhas afetivas, mas o que sentimos nas relações como um todo.

Maria foi super desejada pelos pais. Ainda nos primeiros dias de vida, sentia o amor através do seu corpo: bem estar , coração pouco acelerado, boa qualidade do sono.

Na adolescência teve a primeira experiência amorosa frustrada quando descobriu que seu namorado o traia . Chorou alguns dias, mas externou aos mais próximos que não iria sofrer por quem não a merecia. De forma calma e serena retornou a sua rotina mais fortalecida.

Fernanda teve uma gestação conturbada. O pai abandonou a mãe durante a gravidez, o que a impediu de conhecê-lo. Sua mãe passava por problemas financeiros, oscilando o humor com a menina. Ora a tratava bem, ora de forma grosseira, externando muitas vezes sua insatisfação em ter engravidado. Fernanda tem estilo de apego desorganizado.

Na adolescência, após o namorado, que ela nem gostava, terminou o relacionamento, entrou em crise. Mesmo repetindo diversas vezes que não gostava dele, não conseguia mais dormir, tinha ataques de pânico, a deixando sempre em alerta.

É essencial na terapia que a experiência de dor do paciente seja explorada de modo muito mais emocional do que racional, visto que o primeiro abandono surgiu numa fase pré verbal.

Falar que Fernanda tem valor e é digna de amor, surtirá efeito posterior a um comportamento afetuoso não verbal do terapeuta.

Um psicólogo que a olhe com carinho , escute com atenção, se emocione, principalmente, quando fizer o exercício de imagem, onde REPARENTALIZA a criança do paciente, está a oferecer o que faltou durante o abandono.

O estilo de apego inicial não é uma condenação, possibilitando assim uma reconstrução do vínculo internalizado através de relacionamentos onde o não dito amoroso ( toque , beijo, abraço, atenção, preocupação) seja externado com frequência.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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