Parece pouco razoável acreditar que um adulto minimamente racional, seja de 20, 30 ou 40 anos, não consiga se proteger nem colocar limites em comportamentos abusivos.
Fernando era inteligente, competente e diferenciado em seu trabalho, entretanto quando o chefe autoritário explodia de raiva, ele ficava acuado e indefeso. Detalhe: Fernando não precisa daquele trabalho, pois haviam outras empresas interessadas em sua capacidade profissional.
Quando o ESQUEMA DE ABUSO, desenvolvido numa infância caótica, é ativado, não importa a idade cronológica do abusado…o cérebro irá emparelhar com os primeiros abusos para facilitar (menor gasto de energia) na tomada de decisões.
O adulto abusado tende a usar as MESMAS ESTRATÉGIAS ADOTADAS NA INFÂNCIA por já estarem registradas em sua memória infantil.
O enfrentamento mais comum de adultos abusados é a SUBMISSÃO e DESCONEXÃO: uma estratégia de sobrevivência adaptativa da infância.
Compreender tudo isso é essencial no processo terapêutico, onde o terapeuta precisa enxergar a criança abusada do paciente ao invés do adulto supostamente capaz.
Isso fará toda diferença, pois quando a criança do paciente é devidamente cuidada, amada e protegida, ela se acalma, possibilitando assim o desenvolvimento do seu adulto saudável, que aprenderá a cuidar da sua vulnerabilidade através da REPARENTALIZAÇÃO do terapeuta, que funcionará como um bom modelo de cuidador.
Em suma, quando nossos esquemas são ativados, revivemos nossas faltas e conflitos infantis, onde é fundamental termos um adulto saudável desenvolvido ou uma rede de apoio (amigos, parceiros ou familiares adequados) capaz de acalmar nossa criança assustada.