Quando se pertence a um ambiente instável, com muitas brigas e conflitos entre os cuidadores, viver adrenalizado e em alerta faz parte do cotidiano. A criança não consegue relaxar… a todo instante precisa estar preparada para o inusitado e imprevisível. Clarinha sempre teve insônia. Era durante a noite que os conflitos entre seus pais se acirravam. Ela precisava estar em alerta para pedir ao papai que parasse de gritar com a mamãe.
A criança cresce com esse MODO ADRENALIZADO como uma forma de proteção e de nunca ser pega de surpresa diante dos acontecimentos . Assim, relacionamentos conturbados, distantes fisicamente e infiéis serão atraentes, pois mantém o MODO VIGILANTE ATIVADO.
Através do processo terapêutico é possível que o paciente compreenda o quanto nocivo são essas relações instáveis e decida procurar relacionamentos mais leves , previsíveis e saudáveis. Entretanto em dinâmicas sadias , o modo adrenalizado perde a sua função e como forma de sobrevivência manda uma espécie de aviso ao cérebro com a mensagem de que este padrão mais saudável de relacionamento é entediante.
É importante ter paciência na construção de relações saudáveis…se adaptar e tolerar perder o vínculo com o modo adrenalizado que já foi muito útil na vida de quem se acostumou a estar sempre atento, em alerta, mas que agora, diante de um parceiro conectado, afetuoso e empático poderá seu modo vigilante, finalmente, tirar férias.