Vocês acabaram de se conhecer e o jeito simpático, atencioso e cortês dele te impressiona. O beijo é fantástico. A química melhor ainda e você não vê a hora de um novo encontro.


Nos dias seguintes, passam horas no Whatsapp, parece que se conhecem há anos. Trocam confidências, intimidades… passam o fim de semana juntos , tudo maravilhoso! Finalmente os fantasmas das relações passadas serão exterminados.


De repente, aquele cara intenso e extremamente atencioso diminui o contato. Justifica que o trabalho está tomando bastante seu tempo, está cansado ou ainda cita problemas da sua vida pessoal, mas que não é nada com você.


Você insiste, quer conexão, intimidade, estava tudo tão bom… ele agora afirma que está confuso. Seus questionamentos o irrita , diz que não gosta de pressão e de mulher que o sufoca.


A culpa é um sentimento que você conhece bem, até porque todos os caras terminaram a relação pelo mesmo motivo: você os sufocava.


Em terapia vem a memória numa idade remota, que o papai se irritava com você , uma criança de 5 anos… queria só brincar, desejava afeto . Sua mãe justificava que o papai estava cansada e que você era muito insistente. O sentimento de se sentir inadequada surge: você não é boa o suficiente para atrair e receber atenção das pessoas.


No processo terapêutico descobre o quanto seu cuidador foi negligente. O quão absurdo é ser culpada por ser negligenciada, por querer amor dos próprios pais.

O terapeuta fala de QUÍMICA ESQUEMÁTICA. Fala que homens intensos no início parecem opostos a seus pais, mas no íntimo, a incapacidade de proporcionar segurança e o comportamento de não se vincular e culpar o outro, na verdade é uma reprise da sua relação parental e que para mudar suas escolhas amorosas é necessário aceitar que quem escolhe os parceiros amorosos não é seu adulto, mas sua criança iludida, que acredita que se for uma boa garotinha finalmente será amada.


É justamente essa garotinha que fica excitada, serelepe e adrenalizada por homens que se parecem, que tem cheiro de sua infância. Você irá aprender que o primeiro impulso é o da criança que precisará ser contida.

Homens gentis , estáveis, pouco intensos ou não negligentes não farão sentido no início por produzirem pouca química sexual, porém, você começará a entender que a necessidade da sua garotinha é o vínculo seguro, mesmo que isso não seja tão empolgante e adrenalizado.


Proporcionar a sua menina um vínculo diferente a fará vivenciar uma experiência emocional corretiva, capaz de reparar toda a dor de uma vida marcada por negligência, abuso e culpa.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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