Pacientes com ESQUEMAS DE ABANDONO tendem a não acreditar no vínculo seguro. Para eles, a qualquer momento, o vínculo será “quebrado.”
Quando o terapeuta da Clara falou que iria viajar por 20 dias , ativou quase que de imediato, um MODO HIPERVIRGILANTE. E quando não cumpriu a promessa de mandar áudios durante este período que regulassem a criança vulnerável de Clara, se confirmou: “não sou importante para ele! Serei descartada.”
O FOCO DA INTERVENÇÃO não é se desculpar, até para não perder a oportunidade de sentir a dor da criança abandonada e sim validar a dor do paciente, compreendendo o MODO HIPERVIRGILANTE E AMEAÇADOR.
O terapeuta linka seu comportamento negligente a inúmeras situações de abandono ocorridas na infância.
O terapeuta linka seu comportamento negligente a inúmeras situações de abandono ocorridas na infância, porém ao invés de garantir que jamais será negligente para o modo ameaçador, ele diz “não posso garantir que nunca serei negligente, mas sempre que isso acontecer, prometo reparar.”
Uma vez confrontando o MODO AMEAÇADO que exige garantias, o terapeuta pode ficar mais próximo da criança abandonada do paciente, sentindo seu pavor de abandono e fazendo com que sua criança sinta- se importante no pior momento de sua vida.
Vale salientar que, o terapeuta irá ativar esquemas no paciente assim como também pessoas negligentes e instáveis. A diferença é que com a REPARENTALIZAÇÃO ( reconhecendo a negligência e mantendo o vínculo) o desfecho é diferente: “ele é imperfeito, mas mantém o vínculo comigo.”
O excesso de desculpas do terapeuta pode gerar culpa no paciente por se parecer com as justificativas dos cuidadores disfuncionais o que impossibilita a ativação da criança abandonada na sessão.