Diante de um conflito ou confronto na relação amorosa é comum cada um defender seu ponto de vista, focando no comportamento disfuncional do outro como meio de evidenciar que estão certos, conseguindo assim o frágil título do ” eu estou certo e você errado”. Na realidade, ao final, “perdedor” e “vencedor” estarão desgastados e ressentidos, com a sensação de que suas necessidades emocionais não foram satisfeitas.
Marcos estava bastante ansioso com a possibilidade de perder o emprego. Ao invés de compartilhar seus medos com sua parceira, adotou o estilo evitativo: ficava calado, sem interagir, preso ao seu mundo cheio de problemas e desesperança. Por sua vez, sua companheira sentiu grande desconforto com o silêncio do marido. Irritada com a sensação de desprezo e abandono, verbaliza que ele não sabe lidar com os problemas…. foi o estopim para Marcos, passar do comportamento evitativo para o agressivo.
“Se eu fosse mais adulto, teria escolhido uma mulher mais compreensiva” …A partir daí, ambos assumem o modo ataque para defender suas dores. Ela de abandono. Ele em não se sentir compreendido.
A validação envolve se conectar com a vulnerabilidade que há por trás do comportamento do outro. Marcos tinha dificuldades em pedir ajudar, acreditava que deveria saber lidar com seus próprios problemas. Nunca contou com a ajuda dos pais na infância. A esposa, que desde sempre se sentia insuficiente, nunca expôs ao marido o abandono que sofreu por seus genitores ainda muito jovem.
A vulnerabidade tem grande poder em gerar conexão e compaixão no outro, entretanto, alguns casais temem que o parceiro encare suas fragilidades como um comportamento de fraqueza ou se aproveitem da situação. Adotar comportamentos agressivos ou evitativos, além de não dar uma oportunidade para o outro suprir a dor em questão, tem o poder de ativar traumas infantis, à medida que se interpreta o comportamento do companheiro como um ataque a sua pessoa.