A vida infernal de Débora.

Débora tem 32 anos e é obcecada por exercícios físicos. Tem uma voz interna que a lembra estar ficando velha e que as novinhas devem rir do corpo de merda que ela tem . Essa voz a deixa com raiva de mulheres mais novas e como estratégia ativa seu MODO COMPETIDOR, aumentando ainda mais a intensidade do seu treino.

Duas meninas na academia se aproximam para fazer amizade. Débora gosta , precisa de amigos. A voz crítica e exigente imediatamente é ativada: ” vão fazer amizade pra que? Para se distrairem nos treinos? Essas meninas não gostam de você, sentem inveja do seu corpo “. Débora se sente manipulada pelas meninas e passa a falar mal delas na academia.

Ela acha o instrutor da academia bonito, simpático e interessante. Antes de usufruir da química sexual, a voz a interrompe: ” vai ser envolver com este fudido para virar piada na academia? ” Débora lembra do bullying que sofria quando criança e começa a ficar vulnerável quando mais uma vez a voz se ativa: ” Sua fraca! Vai sofrer por homem até ficar uma vaca de tanto comer? ” Débora se desliga da criança vulnerável que quer conexão e foca no treino.

Em sua sessão de terapia, sentiu compaixão por sua criança nunca atendida no exercício de imagem, mas em casa , antes de dormir, foi invadida pela voz mais uma vez: ” Sua burra! Seu terapeuta quer você vulnerável para lhe manipular. Lembras que fostes abusada na infância pelo teu tio justamente por ser vulnerável? “, Débora experimenta ódio pelo psicólogo. Manda uma mensagem indiferente avisando que sairá da terapia.

O GRANDE VILÃO DO TRATAMENTO PARA NARCISISTAS NÃO É A PESSOA, MAS O NARCISISMO INTERNALIZADO, que impede desenvolver vínculos.

TODO NARCISISTA TEM UMA CRIANÇA SOLITÁRIA E ESQUECIDA. Perseguir o narcisista é tratá-lo como monstro, dificultando sua criança solitária de poder ter um desfecho melhor.

O narcisismo deve ser confrontado. A criança escondida pelo transtorno merece ser amada.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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