Maria tem 18 anos . É vista por todos como esquisita, apática, deprimida e até esquizóide, pela dificuldade em externar afeto.

Sua tristeza quando criança, por qualquer motivo, era vista como uma ingratidão, afinal, ela tinha tudo que queria.

É através da tristeza que a criança consegue comunicar suas faltas emocionais para seus cuidadores . Quando fica triste, quando está solitária, quando briga com os amiguinhos e entes queridos ou não pode brincar em dias chuvosos na rua . Essas informações preciosas ajudam os cuidadores a suprirem ou, ao menos, validar a frustração infantil.

A frase típica de sua mãe era: “agradeça o que tem Maria, não lamente o que não tem . Deus é bom o tempo todo.”

Se a tristeza incomodava, a ausência de alegria incomoda mais ainda. Seu pais católicos fervorosos usavam os hinos mais belos da igreja para convencer Maria de que não sorrir era uma afronta ao Deus criador.

Filha de pais religiosos e rígidos, onde desde criança era obrigada a ir a igreja para agradecer as graças, que segundo os pais, recebia todos os dias.

Quando isso não ocorre, dependendo do temperamento da criança, se pode desconectar da dor, se tornando indiferente a tudo, inclusive a alegria.

Não há alegria genuína sem a expressão espontânea da falta. Em famílias rígidas e inflexíveis, as necessidades da criança são encaradas como mimos e quando procuram se apegar a algo poderoso como Deus, nada mais é do que uma ESTRATÉGIA DE CONTROLE E MANIPULAÇÃO que autoriza o abuso infantil.

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Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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