Ela descobriu logo no início do casamento o quanto o marido era controlador, agressivo e intolerante à frustração.
Assumir que havia escolhido o parceiro errado era tão vergonhoso que preferiu negar o abuso e se adaptar ao casamento.
Como o esposo trabalhava 10 horas por dia fazendo negócios, aproveitava para fazer amizades, ir ao shopping e se exercitar…tudo para minimizar a privação de não poder trabalhar e os comportamentos agressivos que se iniciavam no início da noite.
Ela vivia todos os dias pelas 10 horas e se sentia livre , feliz e amada pelos amigos e alguns familiares. Esse ritual durou e funcionou por 4 décadas.
A aproximação da aposentadoria do marido trouxe um terror previsível: ele usará todo tempo livre e descontará todo seu tédio e perda de status na fiel e submissa esposa.
É importante o terapeuta compreender que quando alguém foi submetido a um longo abuso como este, é provável que já esteja habituado a tamanha privação e que de fato , por conta da idade e investimento afetivo, não tenha mais disposição em romper o vínculo.
Validar a tensão e frustração da previsão do caos , ter compaixão pela parte que não consegue romper o vínculo e escutar com paciência e respeito as intermináveis lamentações pode ser exatamente o que o paciente necessita.