Suzana nunca conheceu o pai . Desde criança, escutava da mãe o quanto o genitor era cruel, sem coração e empatia…” Como um homem tem coragem de abandonar a própria filha na gestação ” , porém, ao invés de se aliar a mãe como era de se esperar, desenvolveu uma paixão avassaladora pelo genitor e aversão pela figura materna: “Você é tão repugnante que o papai precisou fugir! És uma pessoa odiosa”.

A CRIANÇA ENCANTADA surge como uma compensação diante da dor do abandono de uma figura crucial em sua vida. Quanto mais perfeito e amável o pai parecesse, menor a angústia do abandono. “Ele não me deixou, apenas fugiu da minha mãe odiosa”, além de aliviar a rejeição, nutre um afeto que apesar de fantasioso, preenche temporariamente o vazio da ausência paterna.

A manutenção da criança encantada faz na fase adulta, Suzana, de forma inconsciente, se envolver com alguém mais ou menos semelhante ao pai.

É quando se apaixona por André, um piloto de avião EVITATIVO, que se aventura com várias mulheres em praticamente cada destino.

Mesmo só o vendo 10 dias por ano, para manter seu bem estar temporário, não permite que ninguém ouse confrontá- la, mesmo que existam provas reais que mostrem o verdadeiro caráter do evitante.

Não importa o quanto essa fantasia possa lhe trazer prejuízos emocionais, visto que suas necessidades emocionais jamais serão satisfeitas. A DESILUSÃO DA CRIANÇA ENCANTADA PODE SER INSUPORTÁVEL e ameaçador a sobrevivência física quando não se tem um adulto amadurecido internalizado.

Esse perfil pode rejeitar qualquer tipo de ajuda , inclusive terapia, afinal ” Ele é o amor da minha vida e sou o amor da vida dele”.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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