Karina era uma executiva extremamente bem sucedida e reconhecida na empresa em que trabalhava. Sua dedicação ao trabalho, onde muitas vezes fazia hora extra para que tudo saísse de forma impecável, gerava admiração em todos que a cercavam.
Quando conheceu Fernando, um rapaz intenso e instável, sua estabilidade emocional passou a desmoronar. Começou a ficar dispersa no trabalho, atrasando relatórios e não cumprindo metas, antes realizadas com excelência. Saia das reuniões constantemente para ir ao banheiro e tentar contato com o namorado, passando a ficar obcecada.
Em terapia descobriu que, surpreendentemente, seu problema não havia se iniciado com Fernando. Desde muito cedo era compulsiva por estudos como uma forma de se desligar do ambiente familiar hostil e caótico, onde seus pais brigavam diariamente.
Estudar gerava alívio na criança abusada e negligenciada, porém, mesmo adulta, essa criança sempre esteve presente em sua vida, clamando cuidados e amor.
Seu modo workaholic, viciado em trabalho e conquistas, era uma maneira de experimentar adrenalina e não entrar em contato com sua criança ferida. Quando Fernando apareceu, com a mesma intensidade de seus pais, a criança acordou e se apaixonou como qualquer menina que anseia por acolhimento.
À medida que Fernando alternava em sua instabilidade entre intensidades de carinho e migalhas, Karina sentia com exatidão o trauma infantil do abandono.
Neste caso, o FOCO TERAPÊUTICO consiste em desenvolver uma relação saudável, afetiva e empática para que a paciente possa, finalmente, vivenciar sua dor em local seguro, onde a compulsão pelo trabalho que a mantinha desligada dê lugar a um colo acalentador!