Tecnicamente chamado de capitulador complacente, o modo obediente não reage aos abusos. Acredita que a única opção para evitar maustratos é não entrar em conflito com figuras poderosas, arrogantes e abusadoras . Procuram terapia por se sentirem deprimidos, temerosos e coagidos por parceiros e amigos. No momento terapêutico, modo disfuncional é ativado … o paciente se mostra passivo e obediente as intervenções do terapeuta.

Em um primeiro momento é identificado o modo em si, podendo ser dado um nome que faça sentido. Exemplo : João bonzinho. Explicar a origem do modo, na maior parte dos casos, oriundo de uma família punitiva e controladora que não permitia a criança, com um possível temperamento tímido e introspectivo, expressar seu desconforto diante da dinâmica familiar. Como prêmio, o obediente não era abusado ou punido. A criança se vê ameaçada, em apuros, percebendo suas figuras de apegos como intolerantes e vingativas.

A terapia segue com o paciente passando a entender seus gatilhos ,sua atração química por figuras abusivas e real motivo de se ver cercado, paralisado e preso na criança amedrontada.

Esta percepção só trará mudanças se no setting terapêutico, o paciente puder se expressar, experimentar sentimentos desagradáveis pelo terapeuta e ser validado pelo mesmo, ao contrário do que vivenciava em sua família.

Carol , após passar 3 meses na terapia no modo obediente, conseguiu falar para o terapeuta o quanto achava um saco os exercícios de casa . Este, prontamente, elogiou sua sinceridade e autonomia, decidindo cessar os exercícios na terapia. O foco do tratamento consiste em desenvolver um adulto saudável, que possa se expressar, independente se suas ideologias , não permitindo ser abusado , cuidando da sua criança paralisada, dando voz as suas necessidades e sempre que a criança interior se sentir em apuros, a parte adulta possa ampará-la.

Vale salientar, que, antes do paciente conseguir se defender, o terapeuta fará isso por ele . Através do exercício de imagem, o profissional entrará nas cenas em que a criança era abusada e a defenderá, enfrentará as figuras abusivas do paciente. A criança insegura sentirá o alívio de ser defendida e protegida e, finalmente, poderá ir para o modo criança feliz , onde sua exclusiva preocupação estará em torno de brincar e se divertir, tendo a certeza que sempre haverá um adulto saudável para protegê-la .

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

Escreva um comentário