O lado saudável é comumente confundindo com o racional, por este usar a lógica, otimismo coerente e previsibilidade, porém a racionalidade é desconectada das emoções e descompromissada com a dor do outro.
Em certo momento, Fernanda, aos 5 anos, chorava porque sua irmã mais velha havia pego seu picolé de morango. Prontamente sua mãe comprou outro e solicitou que a menina parasse de chorar. O choro contínuo irritou a mãe, que ameaçou também tirar o picolé. A necessidade de Fernanda não era o picolé. Este era apenas uma consequência… sua necessidade era validar sua dor por ter sido injustiçada, algo do tipo: “Meu amor , tomaram seu picolé? Isso não se faz com minha garotinha”.
A CONSTRUÇÃO DO ADULTO SAUDÁVEL em terapia sempre está a serviço da vulnerabilidade, onde o mais importante é sempre cuidar da dor da ” criança ” do paciente, sem metas ou seguindo uma lógica racional que deixe o terapeuta desconectado do mesmo.
Por incrível que pareça, o tratamento com pacientes abusados tem mais eficácia quando o foco da terapia está na dor do abuso e de como o terapeuta pode REPARENTALIZAR esta dor, ao invés de estimular que o paciente, por exemplo, a terminar seu relacionamento abusivo.
Lembrando que, o adulto abusado foi uma criança controlada e sem autonomia. Aceitar o paciente de forma incondicional é ensina- lo a ter compaixão pelas suas escolhas, independente da consequência.
O paradoxo é que, quando o paciente para de se torturar por não conseguir romper o abuso e passa a reparentalizar sua criança , começa a se amar mais , escolher amigos mais validadores , empregos não exploradores e até a experimentar tesão sexual e afetiva por pessoas que ofereçam vínculo seguro.
A partir daí o vínculo desorganizado com o parceiro abusivo pode deixar de ser tão atraente.