Em uma relação abusiva existe sempre o DOMINADOR, aquele que visa o poder e controle da relação e o ABUSADO , o subserviente a tirania do abusador.
O abusador conquista o domínio da relação, destruindo a autoestima da vítima e a culpando por isso . A traição é uma das ferramentas mais poderosas de humilhação.
Caio traía Marília sem se dar ao trabalho de esconder. Afirmava que era impossível ser fiel a uma mulher tão burra , gorda e que não sabia fazer nada direito. A parceira, destruída, mas muito carente, se culpava e acreditava que se fosse uma pessoa melhor receberia um tratamento diferenciado ao invés de passar diariamente por todos os constrangimentos vivenciados.
Por outro lado, a traição por parte do abusado pode ser um comportamento de autoalívio, onde o mesmo recorre, não para se vingar do algoz, mas para enfraquecer esquemas emocionais superativados.
Quando Marcela transava com seu amante, esquecia por alguns momentos a vida miserável que possuía. Experimentava o raro momento de se sentir especial e atraente.
A infidelidade autoaliviadora também pode ser confundida como hipercompensatória, entretanto a hipercompensação é um enfrentamento de luta e empoderamento… desafio que abusados utilizam quando se rebelam diante de seus abusadores.
O foco terapêutico para os infiéis autoaliviadores sempre estará na dor que suas relações tóxicas causam. O autoalívio é um perpetuador de relacionamentos nocivos, já que se o abusado não entrar em contato com a dor do abuso, não poderá reivindicar nem cuidar do seu direito em ser amado e valorizado.