“- Olá, meu nome é Natália , tenho 39 anos e me considero relativamente saudável. Tenho um emprego estável onde sou valorizada. Tenho dois filhos lindos e amigos maravilhosos . Sempre fui uma combatente de abusos, principalmente contra mulheres. Tenho nojo de homens machistas , ciumentos e controladores, entretanto, para minha surpresa , descobri em terapia que meus últimos 3 relacionamentos amorosos foram abusivos e que eu , mesmo tão esclarecida sobre o assunto, nunca havia percebido. Vou compartilhar com vocês a minha assustadora e importante descoberta”.
“Meu pai era um marido muito ruim para minha mãe, super violento e grosseiro, contudo comigo sempre foi muito afetuoso. Se de um lado minha mãe ficava ansiosa com a chegada dele em casa , por outro, eu mesmo tão pequena e segundo algumas familiares, gritava de alegria. A forma como ele me tocava, beijava e abraçava, possivelmente fazia me sentir especial.
“Ao crescer, a dinâmica da minha casa não mudou . Enquanto aquele homem de 1,90m , barbudo e de olhar distante causava medo em mamãe, para mim era meu príncipe encantado”.
“Meu terapeuta então me explicou que na minha memória implícita, homens parecidos fisicamente e afetivamente com meu pai me causa amparo, paz e tranquilidade. Não importa o que façam de inadequado, os associo ao conforto infantil”.
“Assim foi com o Léo, meu ex marido. Ele mentia, me traía, chegou até a desfiar dinheiro da minha conta para a dele, mas quando, com seu 1, 92m de altura, me abraçava, sentia tanta segurança que todos os problemas causados tornavam-se pequenos e insignificantes”.