Essa estratégia é muito comum em relações abusivas, onde o praticante faz o outro se sentir confuso e duvidar da própria sanidade, repetindo incansavelmente falas que desvalidem o real sentimento do abusado.
As vítimas desse abuso já viveram situações semelhantes em idades mais remotas.
Laura chorava sempre que o pai era grosseiro com ela . A mãe imediatamente dizia que ele não tinha feito nada demais e que, possivelmente , a criança estava com sono e se Laurinha insistisse, ficaria de castigo.
O que faz a vítima “preferir ” duvidar de suas percepções é o medo da punição e, consequentemente, do abandono do parceiro.
Laura já adulta flagrou seu namorado alcoolizado flertando com uma garota e ficou furiosa. Chegando em casa ao invés de ser reparada e validada foi acusada de paranóica, insegurança e que seu ciúmes acabaria com a relação.
No tratamento terapêutico, o clínico deve ter o cuidado em não ficar preso ao que de fato ocorreu e sim no sofrimento da paciente, que duvida de suas emoções e percepções.
Qualquer comportamento que desvalide a emoção do outro e que faça o parceiro se sentir culpado por ter feito questionamentos é considerado abusivo.
O praticante dessa estratégia manipuladora, Gaslighting, também merece atenção na medida em que tenta proteger sua vulnerabilidade, medos infantis de abandono, rejeição e julgamento…afinal, um parceiro confuso, que duvida de sua própria sanidade se torna uma ” presa indefesa ” e incapaz de se proteger.