O fim de um relacionamento abusivo quando é o ABUSADO que decide romper a relação, geralmente, vem acompanhado de muita comemoração e sentimentos de empoderamento.
Há uma gratificação social com direito a elogios e felicitações por parte daqueles que acompanharam todo o tormento do abusado.
A euforia do fim na verdade é uma HIPERCOMPENSAÇÃO para que a vítima, de forma temporária, não experimente sensações vivenciadas durante o abuso.
Cláudia se sentia abandonada, humilhada e privada de amigos. Agora que terminou tudo com seu ex abusivo, ” será diferente”, exclamou a jovem.
A questão é que, a criança violada do abusado continuará solitária, rejeitada e cansada de lutar por amores impossíveis. A adrenalina do fim funciona apenas como um anestésico.
Após a fase de empolgação, a criança vulnerável reaparece com o mesmo vazio de outras épocas, fazendo o abusado acreditar que retornar a relação seja sua salvação.
O FOCO DO TRATAMENTO para relações abusivas em TERAPIA DO ESQUEMA não consiste em ajudar o paciente a viver sem o abusador , mas que ele possa DESENVOLVER UMA CONEXÃO COM SUA ” CRIANÇA VIOLADA ” ao ponto de gerar amor , cuidado e compaixão.
Essa relação REPARENTALIZADORA do até então abusado com sua criança, faz com o ABUSADOR deixe de ser tão importante e essencial, visto que o adulto saudável do paciente assume as rédeas dos cuidados.
A criança desprezada ao ser cuidada passa a experimentar felicidade, querendo brincar e desenvolver intimidade com pessoas semelhantes ao seu adulto saudável.