A pergunta pode parecer patética, cretina e incoerente, quando se coloca o adulto saudável para refletir: O ABUSO É INEGOCIÁVEL.
A questão é: quando se trata de uma relação puramente emocional, onde quem está no controle é a criança vulnerável do paciente, a pergunta soa bem diferente.
A criança que depende emocionalmente do abuso, precisa encontrar generosidade no cuidador para assim aliviar suas tensões e medo do desamparo.
Raul sofria maus-tratos do padrasto, mas escutava da mãe que ele era um bom homem, afinal pagava seu colégio.
Quando abuso e recompensas andam juntos a criança, naturalmente, irá focar nos ganhos para não se sentir ameaçada.
Essa ESTRATÉGIA ILUDIDA ,mas de sobrevivência, se estende para o mundo adulto de forma semelhante.
O pequeno Raul cresceu. Hoje suporta as humilhações do chefe e da esposa . Do chefe porque lhe paga um bom salário e da esposa por ser uma excelente mãe para seus filhos.
A INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA consiste em fazer justamente o inverso. O terapeuta não recompensa o paciente por bons comportamentos, mas o aceita incondicionalmente, sem focar nos resultados. O paciente não se sente endividado na relação ao perceber que não há sacrifícios, privações e escassez por parte do terapeuta.