João recebe o comunicado de Manuela, após sua infidelidade ter sido descoberta:

“Acabou! Não me procure mais”.

Diferente das impuras justificativas utilizadas em toda relação, ele responde cabisbaixo: ” Manu, você tem toda razão. Sou doente. Preciso me tratar para não machucar mais as pessoas”…Em nada se parecia com o homem rude, autoritário e ameaçador que a fez , em doses homeopáticas, não sentir qualquer tipo de apresso.

De repente, Manuela é tomada por uma compaixão alternando pena e esperança. Mesmo não cedendo ao seu modo empático, custou a dormir durante várias noites. ” E se ele realmente mudou ? E se tivesse se tornado uma pessoa melhor após anos de abusos? Será que o que falta para esse homem tão narcisista não era amor?”

Não importa o desfecho dessa história. O fato é que quando um homem tão violento e abusivo demonstra um mínimo sinal de arrependimento, ele deixa de ser ameaçador. E não ter um homem intimidador é o sonho de toda mulher violada e destroçada de tantos maus-tratos.

Uso o gênero feminino porque desde criança a menina aprende, através de filmes, desenhos e revistas, que o amor de uma mulher é capaz de curar um homem grotesco. Fato este que faz com que muitas mulheres violadas se sintam fracassadas e defeituosas por não terem o amor ” curador”.

ESQUEMAS DE PRIVAÇÃO E AUTOSSACRIFÍCIO são comuns em mulheres abusadas… ” Ela ficou com ele até o fim ! Isso sim é mulher ” . Também são aplaudidas quando o homem dá a volta por cima, responsabilizando – a no dever de ser a grande heroína na história de homens que se recusam a se tratar e romper o ciclo do abuso.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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