Equivocadamente se acredita que o abusado está na relação abusiva porque se habituou a sofrer ou por puro masoquismo. Esta crença, além de distorcida, ainda aumenta a culpa daquele que já está sobrecarregado de sofrimento.
É comum abusadores iniciarem seus relacionamentos de forma gentil, atraente, intensa e conectada, fazendo a vítima se ver como alguém digna de sorte.
É bem verdade que essas magníficas qualidades não se sustentam por muito tempo, fazendo o abusivo despencar de príncipe encantado para sapo.
E a queda do abusador não é progressiva. Em vários momentos ele ensaia que talvez volte a ser o mesmo do começo da relação, desde que o parceiro mereça, é claro.
Todo abusador, obrigatoriamente, tem algum comportamento generoso para com sua vítima e assim mantê-la no MODO ” CRIANÇA ILUDIDA “. Ele pode pagar a faculdade para uma namorada que nunca teve condições, pode transar loucamente com uma mulher que nunca teve prazer sexual, pode ser sociável e amado pelos amigos para alguém inibido… sempre oferecendo uma ” cura ” para uma falta infantil.
A parceira , no MODO ILUDIDO, mas também ENCANTADO, passará a se esforçar cada vez mais para usufruir das pequenas gentilezas do abusador ( reforço intermitente) . E quando finalmente conseguir, irá se sentir a garotinha mais feliz do mundo.
O foco do tratamento consiste muito mais em ter compaixão por essa criança iludida e tolerância com o adulto ainda muito frágil do paciente que romper a relação, afinal nenhuma criança ( ABUSADO) quer trocar de pai ou mãe ( ABUSADOR).