Carla descobriu mais uma traição. Ao confrontar o namorado, ele friamente responde: ” trai sim e daí? “. Ela se sente humilhada, abusada…no desespero procura ajuda profissional.
Na primeira sessão garante que acabou e que tem nojo do namorado. A terapeuta entusiasmada, valida.
Na semana seguinte Carla se apresenta no atendimento envergonhada. Falou que não resistiu e transou com o namorado para melhorar sua autoestima. A terapeuta demonstra preocupação e sugere o contato zero: “Carla querida, se queres realmente esquecê-lo, precisa romper completamente o vínculo”. Ela concorda, mas dois dias depois recai novamente. Constrangida, não volta para a terapia.
Giovana rompeu o relacionamento pelo mesmo motivo de Carla. Já faz terapia há 3 anos e após várias recaídas conseguiu desenvolver um adulto saudável, capaz de cuidar, amar e colocar limites em sua criança.
Após fazer vários exercícios de imagem, combinou com sua terapeuta o contato zero. Sua criança impulsiva implorava para entrar em contato com o ex e Giovana, no modo adulto, a abraçava, agora zangada e frustrada, e dizia “eu tolero tua raiva e a valido , mas por amor não permitirei mais abusos.”
Quando regulava sua criança ferida, aproveitava para ativar a criança feliz através de passeios de bicicleta e viagens.
Giovana ainda sente falta do ex, mas já internalizou que irá sobreviver com a ajuda de sua rede de apoio.
Vale salientar que, a ESTRATÉGIA pode ser excelente desde que o paciente tenha um adulto saudável capaz de dar conta da dor da sua criança.
No caso de Carla, ela estava no modo criança vulnerável sem adulto para protegê-la.
UMA CRIANÇA NÃO TEM RECURSOS E NEM REGULAÇÃO EMOCIONAL PARA LIDAR COM A DOR DO ABANDONO.