A criança subjugada pertence a um ambiente de controle e autoritário, que castiga a espontaneidade infantil. Externa uma tensão prolongada que para que se torne insuportável.
Como mecanismo de defesa, a criança se desliga dos abusos e se torna especialista em detectar atos de generosidade nos cuidadores, a fim de desativar o medo de perder o vínculo ( sensação de morte).
Quando seu pai agressivo e dominador relaxava, Marina, aos 4 anos , internalizava um cuidador gentil que naquele dia não a abusou. ” Tenho um pai maravilhoso ” ( MODO PROTETOR ILUDIDO).
Na fase adulta, ao se envolver com homens que desde o início demonstravam ser abusivos, utilizava a mesma estratégia infantil : se desligava emocionalmente do abuso e experimentava gratidão por situações neutras ou não abusivas.
O FOCO TERAPÊUTICO não é desmascarar as figuras de abuso da vida de Marina. Ocorrendo isso é possível que o paciente se desligue da relação terapêutica e tente provar o quanto a figura abusiva é generosa.
O DESAFIO CLÍNICO é oferecer uma generosidade ” diferente “, sem que o paciente precise se desligar ou se esforçar, para que assim, aos poucos, possa no adulto saudável, confrontar os abusos travestidos de generosidade.