Há um momento da relação abusiva em que o abusado, exaurido de tentar em vão mudar a dinâmica da relação, decide aceitar e naturalizar o funcionamento abusivo por acreditar na impossibilidade de um desfecho diferente (resignação).
A desesperança o deprime ao ponto de perder a vontade de viver. Como MECANISMO DE SOBREVIVÊNCIA, o cérebro ativa um MODO ILUSÓRIO para tirar o abusado de uma depressão crônica que pode levá-lo a morte.
Este mecanismo inconsciente se desliga do abuso estimulando a vítima a perceber e hipervalorizar as qualidades do algoz.
Felipe quando estava estressado no trabalho, ignorava sua esposa completamente, a fazendo se perceber como invisível . No fim de semana, mais relaxado e movido ao álcool, a procurava sexualmente e também a tratava melhor. A gratidão e o encantamento da vítima irritava as amigas, mas quando questionada respondia: “não há relação perfeita. Essa é a forma dele de me amar.”
É um equívoco o terapeuta confrontar a vítima no MODO ILUDIDO. Para evitar a dor da realidade, o paciente abusado tenderá a defender o algoz como se fosse a verdadeira vítima e romper o tratamento como sobrevivência emocional.
A FUNÇÃO DO TERAPEUTA consiste em : respeitar, tolerar e compreender o modo iludido do paciente. Na medida em que o vínculo seguro de ambos vai avançando, o paciente ao usufruir e internalizar uma relação saudável, poderá questionar a postura do parceiro abusivo.
Antes deste VÍNCULO SAUDÁVEL com o terapeuta é possível que o abusado só tenha internalizado em si um estilo de apego desorganizado, impossibilitando qualquer comparação.