O modo desconfiado e nomeado muitas vezes de paranóico, na relação abusiva tem a função de deixar o abusado em alerta, no intuito de se evitar traição, abandono, rejeição ou agressão.

Carla escolheu Fernando para namorar e enfatizava ter sido atraída por suas qualidades, mas na verdade foram justamente seus comportamentos enganadores, manipuladores e perversos que a fizeram “se apaixonar” e ficar obcecada a todo instante pensando nele 24 horas por dia .

Neste caso, o desafio clínico é ajudar Carla a se conectar com sua criança abusada, que possivelmente ficava em alerta diante dos abusos de seus cuidadores.

Muitos pacientes reconhecem que esse modo é adoecedor e buscam terapia na tentativa de enfraquecer essa forma de enfrentamento. O que poucos sabem é que não dá para desvincular o modo paranóico da escolha do parceiro (QUÍMICA ESQUEMÁTICA). Pessoas desconfiadas e “paranoicas” tendem a escolher parceiros que reforcem a utilização desse enfrentamento mais resignador.

Vale ressaltar que, o MODO DESCONFIADO estará disponível a qualquer momento e provavelmente será ativado em uma próxima escolha amorosa da Carla ou da Carlinha.

Ao se entrar em contato com sua criança vulnerável, protegendo-a e, principalmente, amando-a é possível que a Carla adulta consiga dar um basta em sua relação abusiva , proporcionando a si mesma um descanso, um relaxamento merecido para seu “modo paranóico”.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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