Ela estava em uma relação abusiva há cerca de 5 anos. Cansada de sofrer maus tratos e terríveis humilhações decidiu no começo de 2021 fazer terapia.
Após constatar a não melhora do seu abusador e de começar a construir um adulto saudável, capaz de se amar, finalmente, no fim de outubro do ano passado, rompeu a relação.
Imediatamente sentiu uma euforia, um empoderamento em assumir o controle de sua vida. Rompeu o isolamento completo, que só uma relação abusiva é capaz de fazer, retornou ao seu ciclo familiar e de amigos e conheceu pessoas saudáveis, conectadas e dispostas a oferecer uma relação recíproca.
Entretanto , no Natal, uma angústia se instalou dentro de si. Lembranças boas como viagens, beijos, brincadeiras e confidências a fizeram pensar em seu ex abusador de forma diferente.
O abusado rompe a relação abusiva no MODO ADULTO SAUDÁVEL, mas a criança interior não desiste de amar seus pais abusadores, devidamente representados pelo abusador atual.
A criança abusada ainda não tem vínculo com o adulto saudável, afinal mal se conhecem e insiste em se jogar no colo do abusador por este ser familiar e ter feito parte de toda sua infância.
É essencial que o terapeuta tolere a criança iludida do paciente e não a puna com críticas e questionamentos…A CRIANÇA SÓ QUER PROVAR QUE SEUS ABUSADORES NÃO SÃO TÃO CRUÉIS ASSIM (idealização).
Ter compaixão pela criança iludida é mais eficiente que tentar evitar o retorno aos abusos. A experiência corretiva sempre é: NÃO IMPORTA A DECISÃO A SE TOMAR , SEMPRE ESTAREI AQUI PARA TE APOIAR.