Aprendemos, desde cedo, que existem emoções positivas e negativas; sentimentos bons e aqueles que devem ser evitados No âmbito da sexualidade, o peso de controle de emoções e sentimentos é bem mais pesado para as mulheres. Muitas vezes, uma mulher “sexualmente saudável” é aquela que além de pensar e fazer pouco sexo, mantém uma fidelidade cognitiva e emocional a seu parceiro…só tem “olhos” para aquele que decidiu desfrutar uma relação amorosa. Muitas, censuram suas emoções, não permitindo sentimentos que ultrapassem o ciclo amoroso estagnado. Carla sentia vergonha e culpa por desejar outros rapazes. Temia que as pessoas descobrissem… “escutassem seus pensamentos”…a julgassem. Uma voz frenética e punitiva sempre repetia em seus pensamentos “Como uma mulher pode desejar alguém além de seu parceiro? Que coisa horrível”….
A depressão foi inevitável. A convicção de que havia algo disfuncional com ela e com seu casamento foi um golpe difícil de suportar. Precisava trabalhar todo sentimento de culpa que tinha dentro de si. Neste caso, o foco terapêutico inicial consiste em psicoeducar o paciente de que todas as emoções e sentimentos são válidos, adaptativos e funcionais. O máximo que possamos fazer é controlar os atos. Após a validação, usar tais sentimentos a seu favor, se torna peça chave. Carla percebeu que podia ,através de suas fantasias sexuais com outros homens, erotizar e alimentar a relação sexual com seu parceiro.
Como não se sentia a vontade em externar seus desejos a seu parceiro ou amigas, trabalhou sua vergonha visitando blogs, páginas nas redes sociais, começando a perceber que não era a única a sentir tais sensações.
O sentimento de inadequação e defectividade foram diminuindo e a coragem de se expor foi aumentando. Carla abriu um cabal no YouTube onde ajuda outras mulheres a validar seus desejos confidenciais e a se sentirem saudáveis, valorizadas e empoderadas.