Há um momento que a criança que sofre maus-tratos físicos ou emocionais sente muita raiva dos cuidadores abusadores . Em algumas situações os denunciam para outros familiares.
Ser violentado por pessoas que têm a função de cuidar interfere diretamente na autoestima, que ao comparar seu ambiente disfuncional com a maioria das outras crianças, se torna perceptível a desvantagem.
ESQUEMAS DE DEFECTIVIDADE são desenvolvidos com crenças: ” meus pais são os piores do mundo” , “sou uma criança sem sorte” , “sou inferior a maioria dos meus amigos”… o que causa uma enorme dor.
Pensar de um jeito otimista, mesmo que incompatível com a realidade, pode, a curto prazo, melhorar os sentimentos.
Mesmo sendo agredido fisicamente toda semana, João enaltecia o pai no colégio sobre o quanto era inteligente e admirado por todos. O sentimento de inveja de alguns amiguinhos o fazia se sentir, de fato, uma criança privilegiada.
Na adultez, Marília, que tinha esquema de defectividade, denunciou o namorado por estar sendo ameaçada caso ela rompesse o namoro.
A compaixão dos amigos a fez registrar emocionalmente a situação como motivo de pena, afinal era isso que as pessoas sentiam por ela quando criança por ter tido pais tão desajustados.
A jovem então usa as mesmas estratégias infantis. Passa a trazer para amigos e conhecidos, o outro lado do namorado…o quanto ele era carinhoso, dedicado, bom de cama e inteligente. A mudança de percepção das pessoas sobre o rapaz a fazia, mesmo que na fantasia, se sentir admirada e especial.
Para muitos que tem esquema de defectividade a regra é clara: É MAIS IMPORTANTE APARENTAR SER FELIZ DO QUE REALMENTE SER!
Intimamente, essas pessoas acreditam que jamais serão valorizadas pelos seus pares afetivos . A fantasia seria então um AUTOALÍVIO, mesmo que momentâneo e também uma HIPERCOMPENSAÇÃO contra a solidão.