Ele veio de um ambiente de mentiras e manipulações. Era ridicularizado, enganado e humilhado pelos próprios pais. Desenvolveu o MODO VIGILANTE até diante daqueles que tinham como dever cuidar e amar. A crença desde criança era “não fique vulnerável nem para seus pais. Ninguém é confiável”.

Ela viveu em um meio miserável de amor. Se achava esquisita, não pertencente a lugar nenhum, nem pessoa alguma. Sua crença era “a vida é tediosa, as pessoas são sem graça, parecem um robô”.

O jeito misterioso dela gerou adrenalina imediatamente nele: ” quem ela é? Com quem já se envolveu ? O que ela esconde?”

A obsessão dele, com seus pensamentos conspiratórios e descontrole emocional pela possibilidade em ser traído a fez se sentir, pela primeira vez na vida protagonista de algo. Ela sentiu que ele bastava e que sua estratégia de isolamento ao mundo e pessoas apáticas poderiam continuar.

Ele procurou terapia devido a insônia e ansiedade. Ao ser questionado sobre a vigilância diante da sua parceira respondeu : “Preciso descobrir se ela mente! Não é fantasia! A incerteza me dói mais que uma traição”.

Ela, que procurou terapia por se sentir solitária e deprimida, falou para sua terapeuta: “Parece contraditório , mas a dor que ele sente por mim me faz sentir que estou viva”.

Apesar de todo prognóstico desfavorável e de sofrimento, esse tipo de casal pode ficar junto uma vida inteira, mesmo com um elevado risco de agressão e até morre, pois a desconfiança pode se tornar um delírio, onde o sofrimento para o desconfiado torna- se insuportável.

A VÍTIMA, por se sentir especial, pode subestimar o quanto essa relação é ameaçadora, tanto para o emocional, quanto para a integridade física, logo, a “vida inteira” juntos pode durar décadas ou apenas meses…

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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