Não somos preparados nem trabalhados para perder. Associamos perdas a algo terrível e trágico. Utilizamos mecanismos de defesa rígidos e poderosos. A negação e a racionalização são alguns deles. O primeiro, evita pensar e o segundo, cria argumentos de otimismo, porém pouco realistas em relação ao inevitável: a todo instante perdemos pessoas queridas! E haverá um dia em que as pessoas que nos amam também nos perderão. Cometemos um grande erro: evitamos pensar, discutir, sofrer por aquilo que faz parte de nosso cotidiano. Preferimos encarar como tragédia, afinal, não é todos os dias que o caos está presente em nossas vidas. Quando o óbvio ocorre, todo material acumulativo escondido e negado em nosso modelo mental vem à tona, a dor se torna insuportável. O organismo que, durante muito tempo, quis acreditar que isso jamais se concretizaria, sem nenhuma preparação ou aviso se depara com algo irreversível: A MORTE. Não nos despedimos das pessoas que amamos por acreditar que ainda vamos vê-las por várias vezes… Se não nos preparamos como é possível vivenciar tal luto? A vida jamais mudará sua dinâmica, seu curso natural onde a regra parece clara: precisamos abandonar nossos espaços para que outros ocupem. Como um trem, em cada estação, indivíduos entram e outros saem para que todos possam desfrutar dessa fantástica viagem chamada vida. Nossa mente precisa compreender que estamos aqui de passagem e que o mundo onde vivemos não é nosso, nem tampouco as pessoas que convivemos. Ficamos apreensivos quando entes queridos entram no avião, quando adoecem ou quando envelhecem. Finalmente, amadurecemos e descobrimos que não perdemos o que nunca nos pertenceu, nos desvinculamos do apego exacerbado. Ficamos gratos pela vida nos ter proporcionado uma experiência tão única e especial, ou seja, usufruído do amor daqueles que fizeram parte de nossa história.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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