A criança abusada ama seus cuidadores como qualquer criança que deseja o vínculo preservado e eternizado.
Diante de qualquer sinal de abuso, seja físico, sexual ou emocional, sente desconforto, mas para aliviar tensões precisa encontrar generosidade no cuidador e assim desativar seu sistema de apego ameaçado.
A culpa da criança tem a função de proteger o abusador e sua integridade emocional:
“Papai não é mau. Me bate quando me comporto mal”.
Se culpar é assumir um falso controle que diz: ” se eu for uma criança melhor, tudo ficará bem “. Essa culpa alivia por trazer a ilusão de ser bem cuidada.
Na adultez, a criança interior irá revelar os abusos sofridos na infância , seja com amigos, parceiros amorosos ou chefia e assim como antes, procurará generosidade como forma de alívio.
Quando o abusador é punido um sentimento infantil volta à tona : ” se ele é abusador, então quem cuidará de mim ?”
Não é um desespero de um adulto de 20, 30, ou 40 anos, nem tão pouco apreço pelo abusador do aqui e agora, mas sim a sensação da criança de ter perdido o controle, de saber que a culpa nunca foi sua , de ser importante diante de um ninguém desorganizado, porém essencial para sua saúde mental.