Se há uma coisa que abusadores odeiam numa relação é cuidar do parceiro. Se conectar com a vulnerabilidade do outro os tornam mais humanos, o que para eles soa como fraqueza, afinal outrora eles também já foram abusados em momentos de fragilidade.
Cláudia pertenceu a uma família negligente em sua infância. Os cuidadores eram incapazes de suprir as necessidades emocionais da garota o que a fazia se sentir completamente sozinha.
Como estratégia de sobrevivência, se tornou extremamente independente desde criança. Aos 7 anos pegava ônibus sozinha para ir a escola, se defendia de garotos mais agressivos sem pedir ajuda. Estes comportamentos eram enaltecidos pela família negligente: ” nossa filhinha é tão madura! ” exclamava a mãe.
Mulheres autossuficientes ou fortes demais não pedem ajuda a seus parceiros, não expressam sua dor, se dedicam ao outro sem esperar reciprocidade porque assim aprenderam a viver.
Abusadores frios, desconectados com as necessidades do outro e com a possibilidade de conquistar vários benefícios na relação se sentem atraídos por este perfil de mulher.
Cláudia não percebia o quanto o namorado era negligente por este se parecer com seus pais. Não sentia o abuso de pagar as contas, por ainda hoje ser explorada financeiramente pela mãe e não achava estranho a frieza do parceiro por nunca ter sido verdadeiramente amada por alguém.