Mamãe, há vinte e cinco anos, vivencio o Dia das Mães e posso garantir que nunca foi fácil. Enquanto as mães de minhas amigas as tratavam como princesas, pessoas especiais, escutei a infância inteira que era um fardo. Chorava demais, demandava demais, só queria chamar a atenção, dizia você…
Com apenas 4 anos me sentia responsável por suas brigas com o papai, fui convencida que por papai me mimar demais, vocês não se davam bem. Passei várias noites rezando para Papai do Céu, pedindo para desaparecer, fazer minha mamãe feliz!
Na adolescência, você me chamou de promíscua, vagabunda, quando soube que tinha um namorado. E parece que os namorados, com quem escolhia me relacionar, eram uma extensão sua, pois todos me maltratavam como se eu não tivesse valor ou fosse indigna de ser amada. E era exatamente assim que me sentia em relação a você, mãezinha…
Há 3 três anos, por orientação do terapeuta, decidi me afastar, priorizar minha saúde mental e me permitir conviver com pessoas melhores, diferentes de você…
No começo foi ótimo, me senti empoderada, o tal do amor próprio parece que finalmente brotava em mim.
Mamãe, não sei se é uma fraqueza minha, mas há oito meses estou deprimida, sem sair de casa e com, de novo, vontade de sumir. Tenho um excelente namorado, amigo, voltei a me dar bem com o papai, já aceitei sua dificuldade em expressar afeto, mas não consigo ficar bem sem a sua presença, sabe?
Nesse Dia das Mães tomei a minha decisão, contrariando inclusive o meu terapeuta: quero voltar a lhe amar, preciso me sentir amada por você, só, assim, esse imenso vazio que habita em mim poderá ser preenchido.
Não importa os seus defeitos ou comportamento, danem-se! Mamãe, eu suplico, preciso que volte a ser minha mãe, nem que seja minha adorada MÃE MÁ…