Diferente do perfil punitivo, onde após a falha ocorre punição, o perfil ameaçador, através da manipulação, faz o outro acreditar que a ameaça não passa de uma advertência para evitar problemas no relacionamento. Isso faz todo o sentido quando o parceiro, geralmente submisso e obediente, cede às ameaças e como prêmio recebe o alívio da ausência do desprazer. O raciocínio chantagista é : EU TE AMEAÇO, VOCÊ OBEDECE E O RESULTADO É SUA PAZ DE ESPIRÍTO… O ameaçador é vulnerável e frágil, utiliza o medo para dominar, coagir o parceiro: “ Se você continuar com aquela amizade, verá do que sou capaz “, “estou lhe avisando, não quero brigar, melhor me escutar“. As ameaças não têm fim, ele precisa delas para se sentir no controle, forte e onipotente. No decorrer do relacionamento, percebe-se sadismo, prazer de causar temor, mesmo que, no íntimo, o comportamento questionado nem seja tão valoroso assim. “ Se não for a festa comigo, nunca mais sairei com sua família“. A tortura psicológica só pode terminar quando o parceiro decide enfrentar o ameaçador, ao enxergar que a consequência da desobediência é bem menos danosa do que ele imaginava. No processo terapêutico, é observado que a ameaça mantém viva a relação. A falta de empatia e negligência afetiva são marcas dessa personalidade tóxica. O ameaçado se acostumou com esse padrão de relacionamento, nega a realidade, prefere acreditar que as ameaças nada mais são que afeto e proteção. Desligar-se desse conflito não será fácil, assim, uma relação saudável, sem ameaças, pode se tornar tediosa para o ameaçado. Os ataques de fúria soavam como ingredientes calorosos, sendo interpretados como zelo, cuidado. O medo nos deixa insano, somos capazes de tudo para obter alivio, inclusive envolver-se com perfis ameaçadores. Afinal, quem ama não quer perder…

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Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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