A criança culpada teme perder vínculos com seus cuidadores de referência. Está disposta a abdicar suas necessidades emocionais e até sua personalidade para receber o tão sonhado amor.

A culpa traz um falso controle/alívio: ” Se me tornar uma criança melhor serei amada.”

Carla, 28 anos, afirma para o terapeuta que lhe faltou paciência e empatia em sua relação, o que culminou no fim . De imediato, o terapeuta enfatiza que Carla é vítima e que seu ex namorado não passa de um narcisista perverso.

Mesmo tendo boa intenção, o terapeuta faz Carla reviver conflitos infantis quando defendia sua mãe narcisista, apesar dos comportamentos abusivos.

A ESTRATÉGIA DE SE CULPAR ERA UMA FORMA DE PROTEGER O VÍNCULO.

Carla se irrita com o terapeuta e ressalta as qualidades do seu o ex ( assim como fazia com sua mãe) . Sai da sessão indignada, jurando nunca mais voltar.

CRIANÇA CULPADA PRECISA FALAR SOBRE SEU MEDO de PERDER VÍNCULOS IMPORTANTES, MESMO QUE DESTRUTIVOS.

A culpa protege a criança deprimida, que no íntimo sabe que nunca será amada como gostaria naquela relação. Confrontar o abusador aumentaria a culpa, o que impediria o contato essencial com a criança deprimida.

Quando o terapeuta valida e aceita o amor da criança vulnerável por pessoas disfuncionais, autoriza também o paciente a trazer para sessão suas dores de abandono, rejeição e fracasso. “Entendo querida. Só querias se sentir amada por sua mãe ” … “Agora compreendo o porquê de tanta culpa.”

A medida que o paciente vai vivendo o luto na relação terapêutica em nunca ter sido amado de forma saudável, vai também detectando o tipo de amor que gostaria de ter experimentado.

Por fim, terapeuta e paciente se aliam e buscam oferecer a criança um amor incondicional, genuíno e sem culpa.

Author

Terapeuta cognitivo comportamental e atuo como psicológo ha 15 anos . Tenho experiência em dependência química e principalmente relacionamentos destrutivos.

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