A criança abusada aprende a tolerar os maus-tratos por temer perder vínculos diante de cuidadores tão significativos. Apesar do sofrimento, decide ter esperança que em algum momento será atendida em suas necessidades e a violência sofrida será finalmente interrompida.
Essa ilusão se torna um MECANISMO DE SOBREVIVÊNCIA por gerar bem estar temporário e facilitar que a mesma se distraia no brincar, comer, estudar…tudo pela sensação de que seu vínculo estará protegido.
Ao crescer o MODO RESIGNADOR tende a perpetuar através da atração química por pessoas abusivas, fazendo com que, o agora adulto, reviva o mesmo drama infantil.
Assim como era na infância, o adulto também se ilude na relação, seja acreditando que dias melhores virão ou enaltecendo as supostas qualidades do parceiro ( ele é gentil, inteligente, sexy , bom coração) como forma de justificar para si mesmo seu modo resignador.
A descoberta de suas escolhas esquemáticas em terapia, geralmente acompanha dor e culpa pela dificuldade em romper com vínculos tão destrutivos.
O paciente tende a odiar seu modo resignado, que nada mais é que a sua criança resistindo em manter o vínculo. A CRIANÇA RESIGNADA NO CORPO DO ADULTO VÊ NO ABUSADOR A IMAGEM DE SEUS CUIDADORES de referência e se recusa a desistir deles por lealdade, amor e submissão.
O afeto por esta criança resignada parece ser a única forma de estabelecer um vínculo diferente de tudo já experimentado.
UM VÍNCULO DE ACEITAÇÃO INCONDICIONAL, onde o terapeuta não compete com o abusador pelo controle da criança e a faz se sentir aceita pelo que é e não mais por suas escolhas ( ficar ou não na relação abusiva).
O modelo de compaixão do terapeuta pode dar vida a um adulto potente, zeloso e conectado, adormecido na figura do paciente.
Este despertar proporciona uma grande aliança entre terapeuta e paciente, fazendo com que a criança se sinta pela primeira vez, protagonista e especial na vida de alguém.